Daydreaming all the time
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Crescer acontece de uma hora pra outra. E eu não estou me referindo a tamanho ou idade, antes fosse. Crescer, no sentido mais profundo da palavra, é assustador. Você brinca com bonecas ou carrinhos, fecha os olhos e quando abre as bonecas e os carrinhos não estão mais lá. Há cobranças, responsabilidades e metas para serem alcançadas ao invés de desenhos animados, videogames e brincadeiras de verão. O mundo gira e um dia chega a nossa vez. Ser dono do próprio nariz é perceber que talvez a gente seja narigudo demais e nunca tenha se dado conta disso. Ser adulto é redobrar as obrigações que tínhamos quando éramos mais novos e sonhávamos em crescer. Crescer, crescer, crescer. Até que você cresce e se depara com uma visão de mundo totalmente diferente da que era esperada. Adultos não vivem em palácios, muito menos são reis ou rainhas. E é quando tudo vira um grande borrão cinza que você sente saudade do colo da sua mãe, dos afagos do seu pai, das brigas pelo controle da televisão com o seu tio, do cabelo engraçado do seu irmão e dos docinhos da sua vó. Porque a sociedade não vai te fazer cafuné ou preparar a sua sobremesa predileta. Pelo contrário: ela vai sugar tudo que você tem, principalmente o seu tempo. Estamos diariamente competindo pra sobreviver, essa é a verdade. Ou você se destaca ou é descartado. Dói ser essa tal de “gente grande”. E dói porque a gente nunca está preparado pra ser pisoteado dessa maneira com tantas informações. O tempo passa pra todo mundo, mas nem todo mundo aproveita o tempo que corre. Se arrepender é normal, é humano, é comum. Mesmo que a gente diga que faria tudo de novo, que valeu a pena, que foi bom e todas aquelas ladainhas de quem aparenta satisfação. O arrependimento chega, uma hora ou outra, numa noite escondida quando deitamos a cabeça no travesseiro e pensamos que tudo poderia ser diferente. Mas as coisas são como são e a gente é como é, fim de papo. Passado não volta, mas o hoje também não voltará mais. Precisamos abrir os olhos e dar a cara a tapa. Precisamos encarar a realidade de peito estufado para que lá na frente, no futuro, o agora não se torne uma lembrança amarga. Precisamos fazer escolhas e, acima de tudo, acreditar nelas. Ou crescer e passar a acreditar na gente."
— Capitule (via capitule)
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